Dali Vive!

Para quem não sabe, um dos maiores museus surrealistas se encontra na Flórida e é uma homenagem a Salvador Dali. O museu possui a maior coleção de trabalhos do artista fora da Europa e seu acervo é composto de 96 pinturas a óleo, mais de 100 desenhos e aquarelas, além de fotografias, esculturas e um enorme arquivo que reúne informações sobre a vida do artista.

Nos últimos anos, com o avanço tecnológico a ideia de imortalizar personalidades históricas importantes através de ferramentas como hologramas e mais recentemente inteligência artificial se tornou uma realidade. Alguns nomes como Tupac, Amy Winehouse, e agora, Salvador Dali são apenas alguns exemplos.

No aniversário de 30 anos do The Dali Museum, a instituição anunciou a abertura da exposição Dali Lives, que contará com renderizações digitais do artista, encorajando maior interação com os visitantes.

Através do uso tecnologias de machine learning e leitura de arquivos, foi possível ter uma ideia mais compreensiva sobre a personalidade e trejeitos do artista surrealista, que serão traduzidos incialmente em vídeo.

O trabalho desenvolvido pela Goodby Silverstein & Partners com o The Dalí Museum, se baseou na compilação de uma série de arquivos, desde fotografias, vídeos e entrevistas do artista. Esse material, juntamente com filmagens de um ator personificando Dalí, está sendo utilizado para treinar algoritmos de inteligência artificial para que esses consigam identificar as expressões faciais do artista, o que possibilita que a AI desenvolva gestos e comportamentos que são condizentes com a realidade, como se o próprio artista estivesse ali.

O comprometimento da instituição com o avanço tecnológico não é de hoje, de acordo com Dr. Hank Hine, o diretor executivo do museu, a intenção é tornar as obras mais acessíveis.

“People who go to art school are taught to have a silent inquiry of a painting, to visually probe it and ask it questions about why it is the way it is. But that’s an acquired skill, and without an entry to the works it’s much more difficult. Drawing from Dalí’s own interest in media and the potential of new technologies, we have a commitment to find ways for our visitors to find delight and special kind of entry into Dalí’s spirit.”

É interessante a possibilidade de exploração que a AI traz e como através de sua capacidade de leitura e associações ela pode de fato representar alguém que já não existe, mas uma questão que sempre me surge, e talvez por falta de um conhecimento mais aprofundado sobre tecnologia, é como essas associações apresentadas são fidedignas.

Humanos fazem associações ao serem submetidos a cenários, e não a partir de analise combinatória. Seria possível que as AI realmente criassem novos comportamentos e ideias plausíveis àquela pessoa sendo que elas não são submetidas a fatores que tanto influenciam humanos como a necessidade de decidir ou apelo emocional? Me questiono constantemente sobre como nos beneficiamos dessa tecnologia se ela traz um caráter apenas mimético.

De qualquer forma, o uso de tais ferramentas para tornar mais interessante e interativa a vivência em instituições culturais é válido, mas fica a reflexão.

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