Multifacetado

Com uma exposição que comemora os 100 anos do artista, os curadores André Severo e Marília Panitz trazem para o CCBB de Belo Horizonte uma coleção que revela a impressionante habilidade do artista em moldar as mais variadas plataformas.

 

Com uma proposta que traz à tona a importância da conversa entre arte e arquitetura bem como a discussão da não dissociação da produção artística, podendo esta ocupar diversos cenários que são complementares, a exposição reúne de forma sutil toda a potência produtiva do artista, desde seus trabalhos em colagens – que revelam sua contribuição e inspiração na produção dada/surrealista – suas produções em tecidos, não apenas em estamparias mas também em cortes, suas pinturas, que transitam entre inúmeros estilos revelando a importância da sua produção para o desenvolvimento posterior da arte brasileira, e por fim seus projetos arquitetônicos, que possuem um caráter particular e instantaneamente reconhecível.

O fazer artístico é trabalhado nessa exposição em sua essência, ao trazerem para esta proposta todas as vertentes trabalhadas por Athos Bulcão, se chama atenção para a não linearidade da produção artística, bem como a possibilidade da coexistência de inúmeras influências e resultados, de forma que a multiterritorialidade se mostra importante para o desenvolvimento do artista como ‘fazedor de ideias’.

 

A singularidade do trabalho de Athos Bulcão nas diferentes áreas que ele explora mostra sua habilidade e expertise em saber aplicar diferentes conceitos e técnicas nas mais diversas situações. Sua produção, no entanto, não deve ser vista separadamente, o processo é o que permite o entendimento da expansão da atuação do artista, e vale salientar aqui que não utilizaremos a palavra desenvolvimento visto que essa automaticamente hierarquiza o objeto/ideia.

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Ao andar pelas inúmeras galerias do terceiro andar do Centro Cultural é possível perceber como as pessoas se encantam por ver e reconhecer o trabalho de um artista que muitas vezes ilustrou o país. Num âmbito distante da arte é preciso reconhecer que nem sempre a audiência tem em mente aquilo que o curador ou o artista estão propondo e a possibilidade de poder trazê-los para perto a partir do reconhecimento é o que faz com que a exposição sobre Athos Bulcão cause uma sensação de poder ampliar o entendimento de algo que já se conhece, de forma que é mais fácil relacionar-se com uma experiência prévia.

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De forma muito cautelosa o trabalho é exposto nas paredes e ilhas, com o uso de cores que salientam o trabalho do artista, uma trilha orgânica que segue uma ordem cronológica/temática, guiando o expectador por suas descobertas.

Para conhecer mais sobre a história de Athos Bulcão, não deixe de visitar 
a exposição, de quarta a segunda-feira, de 09h às 21h, no Centro Cultural 
Banco do Brasil Belo Horizonte.

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