Re•pro•du•ção

RE•PRO•DUC•TIONQuando Walter Benjamin descreve a AURA como uma trama peculiar do espaço e tempo, temos como resultado dessa equação o que se chama de instante, uma definição que não é passível de reprodução, visto que sua ocorrência é única na existência. A reprodutibilidade de um conceito, não toma como partido a vertente temporal da existência da obra, mas apenas na sua forma física, deixando de lado uma grande parte da construção do signo.

O deslocamento do testemunho histórico não seria então capaz de alterar a aura, já que esta está, por definição, no passado, essa reprodução, mesmo que seja um ícone/mimeses imagética seria passível de novas leituras que não serão necessariamente alinhadas à original presente na concepção do mesmo, mas ainda assim não teria poder de despir a singularidade da obra a ponto desta perder seu significado como propõe Walter Benjamin ao questionar a ‘destruição’ da aura.9001382374.jpeg

O instante como construção singular na existência provoca automaticamente qualquer atentado de reprodução ao passo que inviabiliza qualquer processo, a única coisa que permite o caráter repetitivo da cópia é a recusa da eternidade, essa traz uma autonomia da produção da vertente do tempo.

O potencial replicativo das coisas é o que permite a transmissão de conhecimento, que na obra de arte é analogamente visto como a ideia, que transcende a figuração da mesma, ao passo que o conhecimento científico, por exemplo, existe num universo que exige que este seja explicitado, a descrição dos fatos que compõem um determinado conceito é feita de forma incisiva, ao passo que paralelamente a ideia inserida na obra não é lida com tal facilidade, talvez pel a opção da tradução desta através de uma técnica artística – não tirando aqui o potencial artístico da palavra mas olhando pelo lado analítico do discurso direto – não requerer uma objetividade como a forma anterior e por carregar em si uma subjetividade intrínseca, afasta o expectador do entendimento real daquela obra, visto que este só existe no momento de sua criação.

Com o entendimento aqui cogitado pode-se dizer que uma obra começa e termina em si mesma, mas no seu momento de construção a obra e autor são como um só, já que um não se faz sem o outro.

A parte da discussão da obra como existência única no espaço-tempo é necessário também levar em consideração que sua existência física é residual, sendo o que perece na linha do tempo para nosso deleite. Ao destacar-se da sua singularidade e ser removida do contexto temporal da sua produção, a obra permite uma nova série de criações e inflexões sobre sua existência, essas dependendo agora de um momento único entre o expectador e sua interação com esta obra, que abre precedente para a criação de uma nova ideia, temos aqui quase que um paradoxo da produção intelectual, seja ela materializada como for, onde cada momento único propõe a existência de ideias singulares e autenticas, sendo essas nunca antes ou nunca mais reproduzidas nas mesmas condições, já que a tangência entre determinado espaço e tempo só ocorre uma única vez.

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