O Egito Antigo e a vida após a morte

A história de Deus, documentário produzido pela National Geographic com apresentação de Morgan Freeman, é uma série que nos traz questionamentos pontuais e recorrentes sobre a condição humana, sobre Deus e suas ramificações que perpassam o entendimento do que há após a morte, apocalipse, fé e crenças em geral.

Como muito bem organizado, a série documental deixa cada episódio para explorar um desses temas e a partir disso percorre a perspectiva das mais importantes religiões que temos conhecimento hoje no mundo bem como a ciência. Com o intuito de poder compreender melhor e até aprofundar no entendimento de cada conceito visto por essas diferentes óticas, desenvolvi um pequeno estudo que toma como ponto de partida os episódios da série.

Uma das maiores dúvidas e ao mesmo tempo esperança – acredito eu – é relativo ao que vem depois da vida. Bem como todo acontecimento observado no âmbito científico a humanidade aplica uma lógica lavoisieriana à exitência, no sentido de que apesar de mudar sua forma/composição o que se chama de ‘alma’ hoje não deixaria de existir após a degradação do corpo físico. Para compreender como as visões desenvolvidas por diversos grupos convergem, olharemos separadamente cada uma no intuito de compreender quão similar acaba sendo o entendimento religioso do afterlife.

O Egito Antigo

Piramidi-Giza

Da mesma forma que a visão cristã que adota-se no ocidente, os egípcios encaravam a vida apenas como uma fase transtória de todo o período da existência, e a morte seria quando alcança-se a ‘vida eterna’. Vários estudiosos se dedicaram a compreender a vida no Egito antigo e a partir de suas pesquisas hoje temos uma ideia muito próxima de como seria realmente o cotidiano deles e um dos pontos ressaltados por John J. Taylor, autor de “Death and the Afterlife in Ancient Egypt” e que podemos ver com clareza ao observar o que eles deixaram para trás é como os ritos relativos à morte e à passagem se sobressaem ao ser comparados às práticas que eles tinham durante a vida terrestre. Vê-se a partir disso que há um grande peso para eles no entendimento de que o que realmente conta é a vida após a vida terrena.

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Acredita-se hoje, de acordo com o professor de Egiptologia da Univerdade Americana do Cairo, Salima Ikram, que “As ideias que as pessoas tem hoje sobre renascimento e ressureição começaram aqui, em Saqqare, Egito, 5.000 anos atrás ou até antes”. De acordo com o estudioso, o primeiro Faraó que deu início à tradição que hoje podemos ver com a preservação das pirâmides foi Unas, durante seu reinado houve uma grande mudança nas crenças relativas à vida após a morte, de acordo com o egiptologista Hartwig Altenmüller ‘a vida após a morte […] não depende mais na relação entre o indivíduo mortal e o rei, […] em vez disso passa a ser ligado à sua posição ética em relação direta com Osiris’.

A partir de Unas, os egípcios passam a lançar um novo olhar sobre a morte, o qual exigia que houvesse uma preparação em vida para encarar o que havia por vir.

Osiris então era o deus do submundo, bem como da Terra. Para realiazar a passagem então da vida para a vida após a morte, a pessoa deveria navegar por montanhas e fogos seguindo todas as instruções contidas nos textos sagrados egípcios – essas deviam estar talhadas na tumba onde essa pessoa seria enterrada, por isso vemos tantos hieroglifos nas paredes internas das pirâmides, eles indicam o caminho a ser tomado – ao chegar ao fim do caminho a pessoa se encontra com Osiris que o faria passar pelo teste final, que é o pesar do coração, esse determina a virtude e o merecimento da pessoa de chegar na eternidade prometida, caso o indivíduo não se qualificasse seu coração era comido por um monstro chamado Am-Mut.

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Fontes: Altenmüller, Hartwig (2001). "Old Kingdom: Fifth Dynasty". In Redford, Donald B. The Oxford Encyclopedia of Ancient Egypt, Volume 2. Oxford University Press. pp. 597–601. ISBN 978-0-19-510234-5.

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