ESTÁDIO REPROVADO

Rejeição, polêmica e descontentamento marcaram a proposta do novo estádio olímpico de Tóquio, assinado por Zaha Hadid.

O projeto do estádio olímpico de Tóquio que deveria começar a ser construído em Setembro deste ano e tinha previsão de ser entregue em 2019, foi rejeitado por 81% da população japonesa, e finalmente descartado.

O projeto do novo estádio olímpico causou polêmica desde que seu desenho foi anunciado, em 2013. Desenvolvido pela arquiteta iraquiana Zaha Hadid, o estádio foi altamente criticado pelos arquitetos japoneses já que não se adequava ao ambiente urbano no qual deve ser construído por possuir dimensões faraônicas.

Após de ter sofrido críticas iniciais, o projeto que obteve aprovação em 2012 e foi apresentado em 2013, causou burburinho novamente nas últimas semanas, quando o Conselho de Desporto do Japão confirmou que o custo do empreendimento seria o equivalente ao dobro do que fora inicialmente orçamentado, 252 milhões de Ienes, ou aproximadamente 1,85 milhões de Euros.

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Quando o projeto foi apresentado, uma grande preocupação se instaurou entre os arquitetos mais eminentes do país, que iniciaram uma petição online para parar o projeto. De acordo com os mesmos, foi ressaltado o fato de que a construção estaria localizada em uma área histórica, na qual existe uma altura limite de 20 metros. No caso do estádio, ele excederia esse limite em 50 metros, totalizando 70 metros de altura.

Liderado pelo arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker, Fumihiko Maker, juntamente com Toyo Ito, Kengo Kuma e Sou Fujimoto, a petição obteve mais de 80 mil assinaturas – número equivalente à capacidade de assentos da megaestrutura. A petição que teve uma repercussão mundial ganhou o apoio do arquiteto Arata Isozaki, responsável por desenhar o Estádio Olímpico de Barcelona, que afirmou que o projeto era “um erro monumental”.

A arquiteta Zaha Hadid, não se mostrou abalar com as críticas feitas por seus colegas de profissão, e chegou a dizer que as declarações feitas deviam fazê-los sentirem envergonhados.

Apesar da conduta da arquiteta, a oposição se manteve firme, outro importante argumento colocado por eles é a questão de que caso o estádio fosse construído uma das únicas áreas verdes restantes na cidade seria destruída. Deixando de lado as preocupações com o meio ambiente, outra questão também foi levantada, o projeto monumental de Hadid faria com que mais de 300 casas fossem evacuadas.

De acordo com o professor Jeff Kingston, da Tokyo’s Temple University, a construção era “um elefante branco” e justificou sua afirmação dizendo que “pouquíssimos eventos requereriam um estádio tão grande (…)”.

O escritório de arquitetura de Hadid manteve sua posição firme até o final defendendo que aumento dos custos da construção não era devido ao design proposto, mas sim ao crescente aumento dos custos de materiais de construção no país.

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Após as investidas contra a construção do projeto proposto por Zaha Hadid e a repercussão que o caso ganhou na mídia, o Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe, anunciou no dia 17 de Julho, após se reunir com o presidente do comitê olímpico de Tóquio 2020, que os planos para a construção do estádio deverão “recomeçar do zero”.

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