HUDINILSON JR.: ZONA DE TENSÃO

Por ANA LUIZA DE LIMA

Zona de Tensão, exposição de Hudinilson Jr., em cartaz no Centro Cultural São Paulo, tem curadoria de Maria Adelaide Pontes, Maria Olímpia Vassão e Marcio Harum. Com uma coletânea de cerca de 40 trabalhos realizados pelo artista em múltiplas plataformas, que variam da arte postal até a xerografia, a exposição de caráter retrospectivo busca reafirmar a notória contribuição artística de Hudinilson Jr. para o cenário cultural contemporâneo.

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O trabalho exposto é um apanhado das mais importantes obras desenvolvidas pelo artista durante sua carreira tendo um momento de encontro pontual: a contraposição. Ao ser confrontado pelas obras de Hudinilson Jr. é possível observar que o artista traz à tona dialéticas marcantes que se repetem como ‘ordem vs. transgressão’, ‘arte de rua vs. arquivação’, ‘todo vs. parte’.

Nas obras que compõem a série Narciso, Hudinilson traz o seu próprio corpo como objeto de criação, uma topografia a ser explorada, através das xerox e do trabalho de aumento das imagens o artista se constrói e ao mesmo tempo desconstrói, transformando partes do corpo em paisagens abstratas. Ainda com o corpo como objeto, em Zona de Tensão o artista explorou de inúmeras as formas possíveis este procedimento: cópias da própria cópia, ampliações, reduções, justaposições e sobreposições de imagens resultantes do contato direto de seu corpo com a máquina copiadora.

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A oposição é clara quando se coloca frente à frente Arquivo de arte na rua, Cadernos de referências e Intervensão urbana, aqui temos de um lado um Hudinilson que explora metodicamente as notícias sobre arte de rua, que cataloga minuciosamente recortes de jornais e revistas contraposto com um Hudinilson artista urbano, que trabalha no limiar da clandestinidade e ultrapassa o lugar de produção convencional do artista, seu estúdio, para atuar na própria cidade, trazendo intervenções que tem como marca a transgressão, a ilegalidade e a manifestação de pensamentos e práticas marginais em oposição aos processos oficiais, como na ação Ensacamento (1979), onde foram encapuzados monumentos do centro da cidade de São Paulo durante a Ditadura Militar.

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Texto desenvolvido para Curso Curatorial do Museu de Arte Moderna de São Paulo

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